Kertész é um autor húngaro bastante famoso. Fato que podemos atribuir sem dúvida ao fato de que ele ganhou o prêmio nobel de 2002. Judeu, aos 14 anos foi enviado para os campos de concentração. Essa experiência é a grande matéria-prima de seus escritos de alto teor biográfico: Kövés György, personagem de tres romances de Kertész, é, como o autor, tradutor, marcado pela passagem pelos campos de concetração.
Gosto mais dos romances dele do que dos romances de Márai, embora ainda ache Eszterházy Péter um escritor contemporâneo mais interessante. A temática dos campos de concentração, do nazismo é bem diluida na experiência subjetiva, nas influências (Nietzsche, Wittgenstein, Canetti, para ficar com alguns exemplos), ele consegue passar muito bem, como o absurdo dessa situação desqualificou para sempre o ser humano. Infelizmente, mais uma vez, as traduções não ajudam. Mais uma vez a fineza linguistica de Kertész, ainda mais importante para a construção narrativa do que em Márai, é ignorada. Sobre isso, prometo escrever sobre a tradução do livro A Kudarc.