Posted by luciusp on June 27, 2007
Kertész é um autor húngaro bastante famoso. Fato que podemos atribuir sem dúvida ao fato de que ele ganhou o prêmio nobel de 2002. Judeu, aos 14 anos foi enviado para os campos de concentração. Essa experiência é a grande matéria-prima de seus escritos de alto teor biográfico: Kövés György, personagem de tres romances de Kertész, é, como o autor, tradutor, marcado pela passagem pelos campos de concetração.
Gosto mais dos romances dele do que dos romances de Márai, embora ainda ache Eszterházy Péter um escritor contemporâneo mais interessante. A temática dos campos de concentração, do nazismo é bem diluida na experiência subjetiva, nas influências (Nietzsche, Wittgenstein, Canetti, para ficar com alguns exemplos), ele consegue passar muito bem, como o absurdo dessa situação desqualificou para sempre o ser humano. Infelizmente, mais uma vez, as traduções não ajudam. Mais uma vez a fineza linguistica de Kertész, ainda mais importante para a construção narrativa do que em Márai, é ignorada. Sobre isso, prometo escrever sobre a tradução do livro A Kudarc.
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Posted by luciusp on June 6, 2007
Nasceu em 1918 em Kassán (hoje na Eslováquia) e sucidou-se em San Diego em 1989. Sai da Hungria, por razões políticas em 1948 e nunca mais voltou para lá. Embora tenha exercido papel importante naHungria pré-comunista, ficou durante muito tempo esquecido, sobretudo porque não quis que seus livros fossem publicados lá. Na minha opinião é melhor poeta que prosador, ainda que, até onde eu sei, não tenha nenhum poema traduzido para o português. Gosto muito, dentre os livros editados no Brasil, de Veredito em Canudos (foi por causa desse livro que comecei a estudar húngaro) e Confissões de um burguês. Vou procurar um poema dele para postar aqui mais tarde com uma traduçãozinha.
E falando em tradução… É dificil traduzir do húngaro para qualquer outro idioma. Existem muitos elementos que mudam, de maneira muito sutil, o sentido de uma palavra. O exemplo que eu mais ouvi para isso é “magyarul beszélek” e “beszélek magyarul”. Em principio traduziriamos as duas frases como “falo húgaro”. E essa realmente é a idéia contida nas duas frases. O problema é que apenas a primeira quer realmente dizer “falo húngaro”. A segunda seria mais ou menos como “sou EU quem fala húngaro e não ele”. Agora imaginem isso na literatura, com escritores conscientes das possibilidades de sua língua, o estrago que não pode ser feito. Infelizmente, Paulo Schiller não atenta para essas questões no caso de Márai e há uma grande perda do literário. O que salva a leitura é que o Schiller domina bem a língua portuguesa e acaba criando um estilo dele. Tanto que se você lerem qualquer livro traduzido por ele o que saltará aos olhos primeiro são as marcas que o tradutor imprime no texto traduzido e não as características do autor traduzido.
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Posted by luciusp on June 5, 2007
Nesse poste mais 6 autores, todos muito distintos, todos do século XX, alguns contemporaneos. Farei um post em separado para comentar cada um deles, pois são mais importantes para a história da literatura húngara do que Kertész e Márai.
Krudy Gyulla
O COMPANHEIRO DE VIAGEM (2003) COSAC & NAIFY
Szerb Antal
O VIAJANTE E O MUNDO DA LUA (2007) EDIOURO
Örkény István
A EXPOSIÇAO DAS ROSAS ;EDITORA 34 (não encontrei a data de publicação)
Kosztolány Dezsô
O TRADUTOR CLEPTOMANIACO (1996) ;EDITORA 34
Déry Tibor
NIKI – A HISTORIA DE UM CAO (2002); EDITORA VEREDAS
Molnár Ferenc
OS MENINOS DA RUA PAULO (2005); COSAC & NAIFY
O POSTE DE VAPOR (2005); COSAC & NAIFY
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Posted by luciusp on June 5, 2007
Outro autor com muitos livros editados aqui no Brasil, mas para esse existe uma explicação mercadológica: foi ganhador do prêmio Nobel de literatura (do ano de 2003 se não me engano). Bom escritor, mas não está acima da média. Além do mais, vem escrevendo seus últimos livros em alemão. Continua sendo um autor de literatura húngara mesmo assim?
Kertész Imre
LIQUIDAÇAO (2000);COMPANHIA DAS LETRAS
KADISH – POR UMA CRIANÇA NAO NASCIDA (2002) IMAGO
A LINGUA EXILADA (2004); COMPANHIA DAS LETRAS
O FIASCO (2004); PLANETA DO BRASIL
SEM DESTINO (2003); PLANETA DO BRASIL
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Posted by luciusp on June 5, 2007
Sinceramente não consigo entender o motivo de Márai Sándor ter tantos livros editados no Brasil. Ele é bom escritor, mas é mediano, com picos. A crítica inclusive considera que ele é melhor poeta que romancista. Há pelo menos uns 20 escritores húngaros que deveriam ser traduzidos antes dele. Mas, independente disso, temos que comemorar essa edições.
Márai Sándor
AS BRASAS (1999); COMPANHIA DAS LETRAS
O LEGADO DE ESZTER (2001) ; COMPANHIA DAS LETRAS
VEREDICTO EM CANUDOS (2002); COMPANHIA DAS LETRAS
DIVORCIO EM BUDA (2003); COMPANHIA DAS LETRAS
REBELDES (2004); COMPANHIA DAS LETRAS
CONFISSOES DE UM BURGUES (2006); COMPANHIA DAS LETRAS
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Posted by luciusp on June 5, 2007
Segue uma lista de livros de escritores húngaros editados no Brasil, por editoras brasileiras (sei que há uma certa quantidade de livros de editoras portuguesas). Não consegui o nome dos tradutores (apesar de grande parte deles ter sido traduzida pelo Paulo Schiller) e sei que pelo menos um dos livros do Márai Sándor, não foi traduzido direto do húngaro. Mas eu discutirei em outro post, de maneira mais detalhada, a qualidade dessas traduções. Não selecionei os contos traduzidos pelo Paulo Rónai, que foram publicados na antologia de oito volumes chamada Mar de Histórias. Tampouco tratei do livro traduzido pelo Nelson Ascher (com os poemas de Jozsef Attila) porque eu não encontrei nenhuma referência (aliás quem souber me avise). Seguindo essa mesma lógica, não há referências às publicações
em antologias. Prometo que tentarei trazer estas referências faltantes em breve.
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Posted by luciusp on June 4, 2007
A minha intenção com este blog é dividir uma paixão: a literatura húngara. Quer dizer, começou sim com a literatura húngara, mas estendeu-se para a língua, para a gastronomia, para a historia… Para a cultura húngara como um todo… Por isso, esse espaço não é exatamente crítico, visto que falamos de uma paixão, é, talvez, uma tentativa de entender uma cultura tão distante da nossa, mas tão rica; entender um idioma que produziu grandes poetas (sem dúvida entre os maiores da historia da literatura); entender um país que é central para a historia do ocidente, mas pelo qual poucos se interessam…
Enfim, sejam bem-vindos… Comecemos então… E pela porta da literatura….
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